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Em carta, ex-comandante do Batalhão de Trânsito diz que foi exonerado por vingança de coronel

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Em carta, ex-comandante do Batalhão de Trânsito diz que foi exonerado por vingança de coronel

Documento foi entregue ao comando da Polícia Militar

A abordagem à mulher de um coronel durante o atendimento a uma ocorrência pode ter sido o motivo da exoneração do então comandante do Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Wallace Brandão, do cargo. O caso – que aconteceu no dia 9 de fevereiro de 2013, sábado de carnaval – também resultou em punição para o cabo responsável pela fiscalização, que, após 21 anos de serviço, foi transferido para Linhares.

Toda a situação de abuso de poder está relatada em uma carta enviada no último dia 15 pelo tenente-coronel Wallace Brandão ao comandante da Polícia Militar, coronel Edmilson dos Santos. A reportagem do Gazeta Online teve acesso ao documento, onde o tenente-coronel conta como, de comandante do Batalhão de Trânsito, foi transferido para uma diretoria, como ele mesmo diz, “inexpressiva” na PM, perdendo o adicional de função gratificada. A mudança aconteceu em julho, poucos meses após a abordagem à mulher do coronel.

Clique aqui e leia na íntegra a carta do tenente- coronel Wallace Brandão

Na carta, o tenente-coronel explica que recebeu uma ligação de uma pessoa – e diz que inicialmente não identificou quem estava do outro lado da linha -, questionando a autoridade do Batalhão de Trânsito para aplicar multas no local, uma estrada de chão entre Guarapari e Vila Velha. Brandão esclareceu que os policiais tinham, sim, autoridade para fazer autuações no local. No mesmo dia à noite, o então comandante do batalhão ficou sabendo que a ocorrência era referente à mulher do coronel João Henrique de Castro Cunha – e que o coronel era o homem que havia ligado para ele.
A mulher dirigia sem documentos, sem cinto e com uma criança pequena no colo. Havia outras crianças no carro, também sem cinto, e o carro tinha o licenciamento vencido. O coronel João Henrique, seu marido, foi ao local em um carro oficial e não deixou que o veículo da mulher fosse retido.O tenente-coronel relata que na semana seguinte recebeu uma ligação do coronel João Henrique questionando o que poderia ser feito com as multas aplicadas. “Respondi-lhe que agora só caberia ingressar com recurso junto ao DER, pois aquela via é de responsabilidade do Estado”, diz Brandão na carta.

Tenente-coronel relata pressão e dificuldade para trabalhar

A partir daí, o tenente-coronel conta ter enfrentado uma série de dificuldades no trabalho, como a retirada de policiais do seu batalhão sem justificativa, fazendo inclusive com que diminuísse pela metade a realização de blitze, por falta de efetivo. Segundo Brandão, a diminuição das fiscalizações acabou sendo usada como motivo da sua exoneração, assim como do subcomandante, major José Soares de Oliveira Júnior.

O tenente-coronel afirma na carta que teve certeza que era vítima de uma vingança quando o cabo que fez a ocorrência foi transferido para Linhares, o que aconteceu no último dia 10.

“Um militar que é destaque operacional do Batalhão de Trânsito, único cabo capacitado para chefiar a equipe de operação da Lei Seca, seja pela sua idoneidade, seja pelo seu profissionalismo, seja pelo seu grande conhecimento da legislação de trânsito. Ali trabalha seriamente há 21 anos”, diz.

Brandão observa que o cabo havia perdido seus pai há pouco menos de dois meses, que faz faculdade em Vitória e morta em Itararé, nos fundos do quartel.

“Senhor comandante, infelizmente a sequência de atos derivados daquele evento de fevereiro deixa claro que é muito fácil destruir imagens, profissões, sonhos, estímulos e realizações”, escreveu, e termina pedindo para o comandante poupar o cabo da punição.O tenente-coronel Wallace Brandão afirmou que não poderia se pronunciar sobre a carta.

Comandante da PM nega que exoneração de tenente-coronel foi punição

O comandante geral da PM, Edmilson dos Santos, negou, em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, que a exoneração do tenente-coronel Wallace Brandão, ex-comandante do Batalhão de Trânsito, foi uma punição. “As mudanças nos comandos são comuns”, disse.

A transferência do cabo responsável pela abordagem à mulher do coronel também foi classificada pelo comandante da PM como natural. “Não houve punição. O aumento na criminalidade em Linhares, o que motivou a transferência de muitos policiais para a cidade”, disse o coronel Edmilson. “Só este ano, foram 596 movimentações de policiais”, disse o coronel.

Ao ser questionado se não era errado um policial de trânsito atuar no combate à criminalidade, o coronel Edmilson disse que “policial é policial, e pode atuar em qualquer ação”.

Por fim, o comandante disse que há uma Diretoria de Promoção Social na PM, que é a instância que deve ser procurada pelo policial que se sente prejudicado ou perseguido. “Não há registro de relatórios do cabo”, disse.

O coronel informou que, assim que soube do fato, abriu procedimento para investigação. “Vamos investigar se houve  alguma transgressão”.

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