Você sabe o que há dentro da caixa-preta de um avião?

Dois navios captaram sinais que podem ser da caixa-preta do Boeing 777 da Malaysia Airlines desaparecido. É a melhor pista até agora para localizar o avião

Sombra de avião em busca do Boeing da Malaysia: navios e aeronaves estão sendo enviados aos locais onde os sinais foram captados

Sombra de avião em busca do Boeing da Malaysia: navios e aeronaves estão sendo enviados aos locais onde os sinais foram captados

Um navio chinês e outro australiano dizem ter captado sinais que podem ser da caixa-preta do Boeing 777 da Malaysia Airlines, que desapareceu há cerca de um mês. É a melhor pista até agora para localizar o avião. Mas encontrar a caixa-preta continua sendo uma tarefa das mais difíceis.

Recuperar a caixa-preta é importante porque ela contém dados que podem esclarecer por que o avião se desviou de sua rota original e por que caiu. Por isso, vários navios e aviões envolvidos na busca do Boieng 777 desaparecido foram enviados aos locais onde os sinais foram captados.

Isso não garante que o equipamento vá mesmo ser encontrado, já que há muitas dificuldades no caminho das equipes de busca. Para começar, o tempo está se esgotando. Cerca de um mês depois do desaparecimento do voo MH370, a bateria da caixa-preta deve estar no fim da carga.

A qualquer momento, ela deve parar de emitir pulsos que facilitam sua localização — se é que isso já não aconteceu. Esses pulsos ultrassônicos (com frequência de 37,5 kHz), podem ser captados por sensores que são rebocados pelos navios de busca.

Sem os pulsos, será necessário empregar submarinos para vasculhar uma vasta área do oceano na esperança de encontrar a caixa-preta. Isso foi feito no caso do voo 447 da Air France que caiu na rota entre Rio de Janeiro e Paris em 2009.

Naquela situação, o local do impacto era conhecido por causa dos destroços que foram achados na superfície. Mesmo assim, a caixa-preta só foi localizada dois anos depois do acidente.

No caso do voo da Malaysia Airlines, não se conhece o ponto exato onde o avião caiu. Os pulsos que podem ser da caixa-preta foram captados na sexta-feira e no sábado por um navio chinês; e, no domingo, por uma embarcação Australiana, que recebeu os sinais durante 90 segundos.

Os dois navios estavam a cerca de 550 quilômetros um do outro. Assim, é preciso realizar buscas em duas áreas distintas. E sinais ultrassônicos podem ter outras fontes. Alguns especialistas afirmam que até uma baleia poderia ter emitido os pulsos. Logo, não há certeza de que sejam da caixa-preta.

Dentro da caixa há dois gravadores, um de áudio e outro de dados. O primeiro registra as conversas na cabine de comando da aeronave. O segundo grava os comandos enviados a sistemas eletrônicos a bordo e dados recebidos por eles.

São informações como a posição dos controles, velocidade, altitude, direção de voo e estado dos motores. O regulamento de tráfego aéreo adotado nos Estados Unidos e em outros países especifica uma lista de 88 parâmetros que devem ser obrigatoriamente registrados (até 2002, eram só 29).

Mas algumas caixas-pretas registram ainda mais parâmetros. Esses dados são gravados várias vezes por segundo. Em geral, o equipamento grava continuamente durante um período de 17 a 25 horas.

Depois disso, sua capacidade de armazenamento se esgota e ele passa a apagar os registros mais antigos para acrescentar outros.

Por fora, a caixa-preta, apesar do nome, tem cor alaranjada viva. Essa cor foi adotada como padrão porque é a que oferece melhor visibilidade no mar e em outros ambientes. É a mesma cor dos coletes e botes salva-vidas.

Como a principal utilidade da caixa-preta é permitir a investigação de acidentes, ela é construída de modo a resistir a impactos muito fortes. Deve sobreviver a uma queda do avião, seja na terra ou no mar. Seu uso é obrigatório em aviões comerciais desde os anos 60.

Via: EXAME


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