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Pesquisa revela que 40% dos jovens concordam que quem usa roupas insinuantes não pode reclamar de violência sexual

Além disso, pouco mais de 10% são indiferentes a esse tipo de violência.

Está enganado quem acredita que todo jovem tem a mente aberta. Uma pesquisa realizada com brasileiros de faixa etária entre 18 e 29 anos apontou que quatro entre dez deles concordam, total ou parcialmente, com a ideia de que mulheres que se vestem de forma insinuante não podem reclamar se sofrerem violência sexual. Além disso, pouco mais de 10% são indiferentes a esse tipo de violência.

Assim como os 40% da pesquisa que concordam com a ideia de que determinadas roupas provocam a violência sexual, a estudante Lívia Maira Dias, 21 anos, também defende essa ideia. “Também acredito que se a mulher usa roupas insinuantes, ela está querendo mostrar seu corpo e sabe que essa atitude vai despertar o desejo masculino e pode acarretar no abuso. Não acredito que todas tem esse objetivo, mas no fim, é o que acontece, elas acabam mostrando demais”, critica.

Confira as opiniões dos jovens capixabas:

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Diferente de Lívia, o engenheiro mecânico Marquese Satler, 25 anos, acredita que a roupa, indecente ou não, não justifica a violência sexual. “Qualquer violência deve ser recriminada, principalmente desse tipo. Ninguém pode julgar uma pessoa pela aparência ou pelo modo que ela se veste. Devemos analisar pelo comportamento. E acredito que nenhuma violência pode ser justificada”, defende.

Pesquisa

Os resultados também mostram alto grau de desinformação, preconceito de gênero e contra homossexuais. A pesquisa Juventude, Comportamento e DST/Aids, foi encomendada pela Caixa Seguros, aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília e feita com o acompanhamento da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Para o coordenador da pesquisa, Miguel Fontes, que é doutor em saúde pública, o machismo ainda está muito presente entre os jovens, “principalmente os homens”. Pouco mais de 9% dos entrevistados concordam ou são indiferentes ao fato de um homem agredir uma mulher porque ela não quis fazer sexo e pouco mais de 11% têm a mesma opinião com relação a homens que batem na parceira que o traiu.

Para a socióloga do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) Jolúzia Batista, essa geração de jovens sofreu um avanço conservador nos últimos anos. Na sua opinião, uma educação não sexista nas escolas é fundamental para mudar esse cenário. “Nós vemos que hoje a violência surge como uma forma de colocar a mulher nos trilhos, de corrigi-la. É preciso investir em educação para mudar isso”, defende.

Para a pesquisa foram entrevistados 1.208 jovens entre 18 e 29 anos em 15 Estados e no Distrito Federal, sendo 55% mulheres. Os critérios da coleta de dados, feita em 2012, são semelhantes aos adotados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho foi concebido e analisado pela John Snow Brasil Consultoria, e a coleta de dados foi feita pela Opinião Consultoria.

(Informações da Agência Brasil)


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