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No ES, Hospital diz que bebê morreu de Aids, mas pais não têm a doença

Gabriel Almeida Santana tinha dois anos. Família quer exumação do corpo para ter respostas.

gabriel

Há quase dois anos, o autônomo Aldo José Santana, 32 anos, e a esposa dele, Taismara Silva Almeida, 22, tentam provar algo que, para eles, não há dúvidas: que o filho Gabriel Almeida Santana, um bebê de apenas dois anos, não morreu com o vírus HIV, de Aids.

Com uma doença rara, a Síndrome Hemofagocítica, o pequeno Gabriel morreu em abril de 2012 depois de ficar internado por quase um mês no Hospital Infantil de Vitória. O pai tenta garantir na Justiça a exumação do corpo do filho para provar que a criança não tinha Aids. Aldo questiona a causa da morte e está processando o Estado por calúnia na causa da morte.

A síndrome Hemofagocítica é uma doença do sangue, rara e potencialmente fatal. Ela ocorre devido a uma sequência de inflamações. A doença é diagnosticada em crianças com histórico de febre sem motivo aparente e com duração de, no mínimo, 7 dias. Por ser uma doença grave, a maioria dos pacientes diagnosticados com a síndrome evoluem para o óbito, mesmo com o tratamento com quimioterapia e, em alguns casos, o transplante de medula óssea.

Saúde sempre foi frágil, diz pai

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A saúde de Gabriel sempre foi frágil. “Ele já nasceu com pneumonia”, explica o pai. E a doença atrapalha na produção de anticorpos. Por isso, Gabriel constantemente era internado com um quadro médico de pneumonia.

“Fomos para São Paulo, pois ele estava com pneumonia constantemente. E foi lá que descobrimos a doença dele, a Síndrome Hemofagocítica. E o Gabriel só poderia melhorar com um transplante de medula. Mas não deu tempo de ele fazer esse transplante”, desabafa Aldo.

Quando a família – que mora em Cariacica – voltou para o Estado, Gabriel passou mal novamente e foi internado no Hospital Infantil de Vitória. Aldo questiona o tratamento dado ao filho e credita a morte da criança à “saúde precária capixaba”.

“Só de falar, eu fico emocionado. Demos entrada no Hospital Infantil. Mas apresentamos o laudo completo ao médico. Pedimos que os médicos daqui entrassem em contato com os de São Paulo. Mas eles disseram que não precisava, apesar de se tratar de uma doença rara. Aqui no Estado o tratamento não durou 30 dias e ele morreu”.

Durante a internação, Gabriel chegou a ir para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), segundo a família, enquanto aguardava uma melhora no quadro para ser transferido para Curitiba (PR), onde faria o transplante de medula óssea. Mas Gabriel só piorava.

“Quatro dias antes de ele morrer, chamaram eu e a mãe dele no hospital e pediram que a gente fizesse o exame de HIV. Deu negativo. Mas o exame do Gabriel deu positivo. Foi um baque. Até pela forma como recebemos a notícia, sem nenhum preparo”.

A família busca uma resposta para o diagnóstico, já que ninguém na família do menino possui o vírus HIV. E a cada dia que passa aumentam as dúvidas: houve falha na causa da morte ou o menino foi infectado? Atrás de esclarecimentos do caso, Aldo decidiu pendurar cartazes nas escadarias do Palácio Anchieta, pedindo Justiça.

Veja a causa da morte na Certidão de Óbito de Gabriel:

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“Enquanto eu não tiver essa resposta do Estado, vou estar aqui todos os dias. Tem muita coisa por trás disso. Precisamos de qualidade nos serviços. Já vai fazer um ano e nove meses que o meu filho morreu e eu tenho uma interrogação na minha cabeça”.

“Isso não vai ficar impune”, desabafa a mãe

A mãe de Gabriel, Taismara Silva Almeida, está grávida de três meses. Ela conta que sente medo do preconceito das pessoas e quer provar que o filho morreu sem o vírus da Aids. “Isso não vai ficar impune. Já procurei os Direitos Humanos, já denunciei o caso ao CRM. O meu filho sofreu uma calúnia, mesmo morto. A sociedade é preconceituosa e já ouvi dizer que eu e o pai passamos a doença para o Gabriel. Mas não estamos doentes. Queremos a verdade”.

Taismara afirma que tem certeza que o diagnóstico da morte do filho apresenta uma falha. Ou que, caso esteja certo, houve um erro dentro do hospital, levando à infecção de Gabriel. “A família acredita que essa história de HIV é uma mentira. Pois se ele adquiriu HIV, foi dentro do hospital. Ou então mataram o meu filho por um outro motivo e utilizaram essa desculpa. Tenho vários exames comprovando que eu e o Aldo não temos HIV. Vamos fazer o que for preciso para provar isso”.

Direção do Hospital Infantil nega contaminação na unidade

A direção do Hospital Infantil negou, em entrevista ao site G1, que Gabriel tenha sido contaminado no hospital e informou que ele fez várias transfusões de sangue. O diretor do hospital, Nélio de Almeida, garantiu que todas as transfusões de sangue realizadas no Hospital Infantil de Vitória “obedecem os critérios da hemovigilância, todos os testes de segurança são feitos e existe hoje no prontuário deste paciente que não houve contaminação aqui no hospital”.

O diretor disse ainda que “quando o paciente tem uma doença grave, é investigado toda a origem de uma ou outra intercorrência. Então, nós temos que procurar, averiguar o que foi feito para ter chegado a esse diagnóstico”, concluiu.


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