Não consegue acordar cedo? Você pode ser “B”

“Pessoas B” são noturnas e produzem melhor à tarde e à noite.

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A empresária e jornalista Michelle Sales, 32, sempre foi noturna. No início da profissão, assessora eventos e não era raro que o trabalho acabasse às 6 horas da manhã. Para ela, um horário perfeito. Hoje, ela trabalha durante o dia, mas no escritório já sabem: não contem com ela antes das 10 horas.

“Sempre gostei de trabalhar à noite e escrever quando tudo fica calmo, entre 22h e 2 da manhã. Só então tomo banho e vou ler alguma coisa para relaxar e ir dormir. Consigo acordar cedo, se preciso, mas é um sacrifício. Fico sonolenta e com dor de cabeça. Para mim, seria ótimo se pudesse entrar no trabalho às 16h”, diz.

Noturnos

Michelle não está sozinha. Desde 2006, pessoas noturnas como ela se organizaram em um movimento chamado “Sociedade B”. O grupo, que foi criado na Dinamarca e chegou ao Brasil em 2012, acredita que de 15% a 25% da população seriam de “pessoas B”, que teriam seu melhor rendimento à tarde e à noite. Para eles, horários alternativos de estudo e trabalho não só evitariam problemas de saúde e engarrafamentos, mas até aumentariam a produtividade das empresas.

Por pressão do movimento, em 2007, Suécia, Noruega, Finlândia e Reino Unido começaram a introduzir horários alternativos. Na Suécia, a primeira a implementar o esquema foi uma escola de Gotemburgo, que passou a oferecer turnos opcionais entre 20h e 8h. No Brasil, as iniciativas ainda são raras, mas em grandes cidades, como São Paulo e Brasília, há comércio 24 horas e empresas que permitem que seus funcionários entrem no trabalho entre 8h e 10h30.

O médico especialista do sono Sérgio Barros explica que realmente existem pessoas que funcionam melhor à noite e que o ideal seria as empresas se adequarem ao seu ritmo biológico. “São pessoas que são mais produtivas à noite. Em algumas profissões, adequar a escala de trabalho ao seu ritmo de sono é até mais seguro. Essa flexibilização dos horários é muito bem-vinda”, diz.

Barros questiona, inclusive, o velho conceito da vovó que diz que o sono do dia não é tão reparador quanto o da noite. “Isso não é uma verdade absoluta. Se ninguém da casa dorme de dia, pode haver mais barulho, e a qualidade será prejudicada. Mas é só criar boas condições de descanso”, diz.

Alerta

Mas o médico alerta que, apesar de ser o ideal, nem toda “pessoa B” deve respeitar seu próprio ritmo. “Se a pessoa trabalha em horário comercial e vira a noite, terá privação de sono. Além de causar problemas de memória, concentração, libido e irritabilidade, a privação interfere nas funções cardiovasculares. Elas vão infartar mais e viver menos”, alerta.

A sociedade B

O movimento
B–Society

É um movimento fundado em 2006, na Dinamarca e, em 2012 no Brasil, que diz que
de 15% a 25% da população são pessoas que funcionam melhor de 9h a 1h, tendo seu melhor rendimento à tarde

O que defendem

Horários alternativos de trabalho e estudo para respeitar as diferenças entre as pessoas, diminuir os engarrafamentos e evitar que as pessoas B tenham problemas de saúde, como irritabilidade, depressão e estresse

O que dizem os médicos
Vespertinos

Especialistas em Medicina do Sono reconhecem que existem pessoas matutinas e vespertinas, com diferentes horários de sono e rendimento

Respeito meus horários?

Depende. O ideal é mesmo respeitá-lo se possível. Mas quem estuda ou trabalha em horário tradicional (às 7h ou às 8h) deve tentar se adaptar ao horário matutino para evitar a privação de sono

Condicionamento

Com ajuda de um especialista, é possível adaptar o relógio interno a um horário diferente
e ter mais qualidade de vida

Fonte: médico entrevistado, O Globo, Folha de São Paulo


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