Morre rapaz que lutou com assaltante dentro de casa na Serra(ES)

Felipe Alves Sarmento, 30 anos, foi baleado na cabeça quando tentou impedir roubo na última terça-feira.

rua

O assistente operacional Felipe Sarmento, 30 anos – que foi baleado durante um assalto à casa dele, na terça-feira, no bairro São Diogo, na Serra(ES) – morreu na madrugada desta sexta-feira (20).

A informação é de um familiar da vítima.

Ele estava internado, em estado grave, no Hospital Jayme dos Santos Neves.

O crime

O crime aconteceu no bairro São Diogo II, na Serra. O pai de Felipe, um aposentado de 56 anos, chegava em casa, às 19h30. Assim que abriu a porta da sala, foi surpreendido pela presença de dois homens, que o abordaram por trás, já anunciando o assalto.

Apesar da surpresa, o dono da casa entrou e tentou impedir a invasão dos criminosos, fechando a porta. Mas a dupla de bandidos arrombou a porta.

O barulho da invasão chamou a atenção de Felipe, que estava em um dos quartos do imóvel. Além dele, estavam na casa a irmã – que trabalha como produtora de um programa de jornalismo policial –, a mãe e duas crianças. O rapaz, que pratica jiu-jitsu, foi para a sala e deu de cara com os criminosos.

Sem se importar com a desvantagem numérica, Felipe entrou em luta com os dois assaltantes. Um deles acabou levando um forte soco do assistente operacional, caindo no chão. Quando Felipe partiu para cima do outro criminoso, o bandido que estava no chão se levantou, sacou a arma e atirou na cabeça do rapaz, acertando-o pouco acima do olho direito.

Após o atentado, os dois ladrões fugiram da casa, sem nada levar. O pai de Felipe, desesperado, chegou a persegui-los por algum tempo, mas não os alcançou. O assistente operacional foi socorrido por vizinhos.

O caso foi atendido pelo plantão da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Mas, segundo os parentes de Felipe, como se tratou de uma tentativa de latrocínio, seria encaminhado para a Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), que conduziria as investigações.

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“Ele deve ter achado que conseguiria dominar a situação”

A irmã de Felipe falou sobre como foi vivenciar a violência dentro da própria casa. Ela pediu para não ser identificada.

Como foi o assalto?
Meu pai chegava em casa e foi surpreendido pelos dois ladrões.

O que ele fez?
Ele tentou impedir a entrada deles na casa, mas os dois arrombaram a porta.

Eles chegaram a agredir seu pai?
Não. Ele se protegeu no corredor.

Como seu irmão agiu?
Ele ouviu o barulho e foi na sala ver o que acontecia. Quando viu os ladrões, brigou com eles.

Por que ele fez isso?
Ele pratica jiu-jitsu e tem porte físico avantajado. Deve ter achado que ia conseguir dominar a situação.

Quando ele foi baleado, o que passou pela cabeça de vocês?
Na hora eu pensei que ele só estivesse machucado, não ouvi o barulho do tiro.

E quando percebeu isso?
Foi um desespero só.

Trabalhando com notícias dessa área, como é ver a violência invadir sua casa?
Não é nada agradável. Ficamos desesperados.

Há muita violência em São Diogo?
Sim, há. Não temos segurança nenhuma aqui. Falta policiamento. Aqui na rua tem uma obra abandonada pela prefeitura, que serve de esconderijo para os criminosos. Já reclamamos e ninguém faz nada para resolver.


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