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Jovens muçulmanos se organizam para criar um templo do Islã no ES

O Parque da Pedra da Cebola, em Vitória, é um dos locais onde os adeptos da religião que mais cresce no mundo se reúnem, enquanto não têm uma mesquit.

Parque da Pedra da Cebola, Vitória, tarde do último sábado. Três jovens se curvam ao chão, ajoelhados em tapetes, recitando em árabe sonetos de agradecimento a Alá. O grupo, composto ainda por várias jovens, faz parte da pequena comunidade muçulmana capixaba que sonha em abrir no Estado do Espírito Santo um templo da religião que mais cresce no mundo: o Islã.

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Na falta de uma mesquita, eles se reúnem na casa de amigos e em parques. Segundo o último Censo do IBGE, não chegam a 80 no Estado, e no país são pouco mais de 35 mil. Mas no mundo já representam um quarto da população, atrás somente dos católicos.

Quem são

Os muçulmanos capixabas são universitários, funcionários públicos ou privados, e profissionais liberais, alguns vindos de outros países. Têm até 35 anos e tiveram contato com a fé por meio de amigos ou em busca de informações que explicassem o fundamentalismo. “Mas o que descobrimos foi uma fé que prega a paz e a tolerância”, diz o roteirista Thiago Queiroz, 30 anos.

Há nove anos ele teve o primeiro contato com o Islã e há cinco se converteu, o que não precisa de batismos ou rituais. Basta admitir que Alá é o único deus e Maomé seu profeta, na presença de outro muçulmano que testemunhe o ato.

Alguns deles enfrentam resistência familiar, dos amigos e até o preconceito dos desconhecidos. “Sempre me perguntam sobre os terroristas”, conta o funcionário público Reginaldo Gaspar, 29, que acrescenta: “Não há muçulmanos nas cadeias capixabas”.

Todos observam que aos olhos do Ocidente, o que mais se destacam são os ataques terroristas e a forma como são tratadas as mulheres em alguns países, como o Afeganistão. “Ações extremistas de uma minoria de fiéis. O Islã é muito mais do que isso”, observa o estudante de Economia Abdul Malik, do Benin, África.

Juntos, alimentam o sonho de um dia construírem uma mesquita – templo muçulmano – em terras capixabas. “É preciso pelo menos 40 pessoas para uma oração coletiva e a existência de uma mussala (casa de oração)”, diz Thiago, explicando que só assim é possível pedir ajuda da Arábia Saudita para a construção do templo.

Crescimento

Até que isso aconteça, o grupo marca suas reuniões pela internet, onde também divulga sua fé. “No Islã não há conversões em massa. Essa é uma decisão individual, após longa reflexão”, ressalta Queiroz.

Projeções do Instituto de Pesquisas Norte-americano Pew Research Center mostram que embora no Brasil ainda sejam poucos, o número global de muçulmanos deve aumentar cerca de 35% nos próximos 20 anos, passando dos atuais 1,6 bilhão para 2,2 bilhões, até 2030. Assim, a população muçulmana deverá crescer duas vezes mais do que as demais religiões.

O Brasil está entre os 105 países com menos de 1% da população professando a fé islâmica. Mas há 32 países em que mais de 90% da população é muçulmana.

Veja o vídeo sobre o dia a dia dos muçulmanos no Estado do Espírito Santo(ES)

Na vestimenta, decência prevista no Alcorão

Nas comunidades muçulmanas, as mulheres acabam se destacando pelo uso de roupas mais comportadas, que cobrem braços, pernas e pescoço, além do véu. Mas por trás desse tipo de vestimenta – o hijab –, explica a antropóloga Lucélia Mattos, há um conceito de decência que vale para homens e mulheres, previsto no Alcorão, o livro sagrado muçulmano.

Há quase um ano ela passou a usar o véu. No início, conta, percebeu o estranhamento das pessoas. “Mas tento agir com naturalidade e elas se acostumam”, relata Lucélia.

Nos países muçulmanos há uma diversidade grande nas regras e legislações. Em alguns, o sistema é mais tranquilo e algumas mulheres não usam o véu. Em outros, há códigos de vestimenta estritos para mulheres, que devem usar a burca, como no Afeganistão, sob o regime Talibã; ou cobrir-se com niqab, como no Irã, sob a ditadura.

Nesses locais, também os homens precisam vestir trajes específicos – e até turbantes, dependendo de sua posição social –, além de deixar a barba longa.

O comum em todos eles é viver sob os preceitos da sharia, um conjunto de códigos morais e legais baseado no Alcorão, no que disse o profeta Maomé e na tradição. E que ditam tudo: desde a forma como um muçulmano deve se vestir à comida e às rezas.

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Um estudo do Pew Research Center, dos Estados Unidos, revelou que, em média, mais da metade dos muçulmanos em 39 países de três continentes quer a sharia guiando suas vidas.

Trajes

Burca
É um longo véu de cor azul ou marrom, que cobre completamente a cabeça e o corpo da mulher muçulmana. Tem apenas uma rede sobre os olhos que a permite ter certa visão do mundo exterior. Aos olhos do mundo ocidental, virou o símbolo do regime talibã no Afeganistão, que tornou seu uso obrigatório. Mas é utilizada também em outros países

Niqab
É um véu integral que, aliado a uma peça individual, cobre o rosto da mulher, deixando somente os olhos expostos. Há quem o considere um equivalente da burca. Algumas mulheres o vestem acompanhado ainda de óculos e luvas. O preto é o mais utilizado na Arábia Saudita, onde é muito popular, mas é encontrado em versões coloridas em outros países, como Estados Unidos

Turbante
Muito usado na Turquia, pede em conjunto o uso de uma blusa de gola alta

Al Amira
Véu feito de duas partes: uma touca justa por baixo e um lenço de tecido mais leve que cobre os ombros, o pescoço e a cabeça. Há ainda um modelo tubinho – uma peça única de malha – colocada direto na cabeça, sem a necessidade de amarração nenhuma. Preferido das muçulmanas que praticam esporte

Shayla
É uma echarpe, geralmente de tecido leve, longa e retangular. Não é presa com muita força à cabeça e garante um efeito esvoaçante. É mais popular na Região do Golfo Pérsico

Khimar
Como uma capa, pode ir até bem abaixo da cintura, cobrindo completamente cabelos, pescoço, ombros e costas. O rosto fica livre

Tudong
É usado na Malásia, em ocasiões formais ou ambientes públicos. Cobre os cabelos e deixa rosto e pescoço à mostra

Hijab
O nome é usado para se referir ao costume de se vestir modestamente no Islã em geral. Quer dizer “cobertura”. É a maneira genérica de falar de todos os modelos de véu. Costuma também ser usado para designar o tipo mais popular, que cobre a cabeça e o pescoço, deixando o rosto livre. Tornou-se fashion e possui várias cores, estilos, tecidos e cortes

Chador
É o modelo mais comum entre as mulheres iranianas. É uma capa que cobre o corpo inteiro e é jogada sobre a cabeça. Só o rosto fica à mostra. Como é bem soltinho, para mantê-lo preso ao corpo, a mulher deve segurá-lo com as mãos ou enrolar uma parte do pano na cintura

Fonte:  A Gazeta


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